Artista Plástico, paraense, com 30 anos de profissão, tem ao longo de sua carreira merecido de muitos admiradores e clientes o reconhecimento ao seu trabalho. Como escreveu o escritor paraense Walcyr Monteiro: “ Não sou crítico de arte. Nem parente (que se fosse muito me encheria de orgulho) de Lomont. Porém como ficar insensível diante do trabalho deste artista plástico que tanto e de maneira tão extraordinária tem transposto para sua telas as mais diversas paisagens e os mais variados momentos da vida amazônica?
Desde sua primeira exposição na Galeria Angelus, no Teatro da Paz, em 1975, Lomont percorreu longo caminho e inúmeras fases, participando de dezenas de exposições individuais e coletivas, sempre encantando a quantos tem o privilégio de admirar seus trabalhos. Lomont com seu amor pela Terra das Amazonas, transfere este amor para suas telas e nos apresenta a Região com toda a sua beleza e seu realismo, às vezes, dantesco: ora são florestas, ora são os rios, os furos, os igarapés, os paranás na sua beleza Selvagem.
E em todos os quadros embora tão diferenciados retrata a Amazônia.
Lomont também ingressa em nova fase: é a pintura estilizada. Mas também nesta nova fase é ainda a Amazônia com suas plantas e frutas exóticas que predomina em seus trabalhos...
Dizer mais o que? A arte de Lomont não é para ser descrita: é para ser vista, apreciada e amada pelos que tem sensibilidade. Por aqueles que tem o poder de sentir a poesia, através de mágicos pincéis, ser transposta para as telas num turbilhão de cores estéticas”.
O maestro Waldemar Henrique, também assim escreveu: “Lomont navega em rumo certo para o sucesso, embora não pareça ter pressa. Entrega-se pacientemente à elaboração de um quadro até encontrar resultados imprevistos. Não aceita soluções banais, modismos padronizados, atalhos. Desenha com apuro e põe nas cores o dramatismo de sua personalidade contida. Notei em Lomont a paciência como dons que nunca deveriam faltar ao bom artista. São os faróis que iluminam sua jornada”
AMAZÔNIA EM CORES
“A floresta me fala de um tempo luminoso, da fantasia que a luz faz espalhar pelas águas, Lomont supera as aparências dentro desse contexto exótico “fotografado” pelos pincéis, esse é o olhar fragmentado de quem vê uma paisagem e a recorta na forma de um quadro, tendo como elemento básico, suas referências culturais.
Lomont prefere preservar a imagem “virgem” da Amazônia, a que considera que o caboclo não transgrediu, onde o peixe é seu duende e a floresta seu totem, e é nessa estética da mata com esse olhar que algumas vezes lembra Monet por ter usado também a água como elemento fundamental para sua produção, é que Lomont pintou o tempo, uma parte do tempo registrado no espaço do quadro, desse imaginário da mutação em que a luz é apenas um estado de transe, passou a ser textura, dentro de um contexto onde o exotismo oblitera a subsistência dos nativos, porque no cotidiano rústico do caboclo, dentro dessa calmaria toda existe muita luta de sobrevivência, onde costumes tribais de caça, pesca ou coleta de frutos, coexistem as cores da TV, infiltradas nesse artesanato da vida, alimentada por antenas e baterias de carro.
O processo de robotização ainda possui um sentido de automação, entretanto já se pode perceber indícios de uma fragmentação cultural, que possivelmente levará à morte a cultura do homem amazônida. Talvez seja esse elo que liga o artista a essa resistência do registro, de pintar a Amazônia ainda com árvores gigantescas, casas, pontes, palafitas, canoas, o entardecer e o amanhecer, a limpidez da água, os detalhes da flora, sem rabiscos evidentes de uma possível interferência urbana.
A Amazônia possui de verdade uma beleza única, e não há como superá-la, é o que afirmam os quadros de Lomont”.
(Josette Lassance) – Escritora Paraense |